CURRÍCULO
A palavra vem da palavra latina currere e significa percurso a ser atingido, referindo-se à carreira. Enquanto a escolaridade é um caminho, o currículo é considerado seu complemento e guia que leva ao sucesso da jornada escolar.
Currículo consiste num percurso educacional, um conjunto contínuo de situações a aprendizagem às quais um indivíduo vê-se exposto ao longo de um dado período, no contexto de uma instituição de educação formal. Por extensão, a noção designará menos um percurso efetivamente cumprido ou seguido por alguém do que o percurso prescrito para alguém, um programa ou um conjunto de programas de aprendizagem organizadas em cursos.
Percebem que a educação está atrelada à preparação do currículo e a partir dele se definem os objetivos educacionais? Em outras palavras o currículo é o conjunto de ações pedagógicas
Ele pertence a um determinado espaço e tempo histórico. Cada currículo possui especificidades diferentes dependendo da época em que ele está inserido.
Para Libâneo, é a concretização, a viabilização das intenções e orientações expressas no projeto pedagógico. De forma geral, o currículo compreende-se como um modo de seleção da cultura produzida pela sociedade para a formação dos alunos. É tudo o que se espera que seja aprendido e ensinado na escola.
O currículo deve ser entendido como o elo entre a teoria educacional e a prática pedagógica! Fiquem atentos: Currículo é diferente de grade curricular. O currículo é o conjunto de ações pedagógicas e a grade curricular é a lista de disciplinas e conteúdos do currículo.
Currículo Formal (prescrito): É o documento que chega nas nossas escolas e é entregue para o professor. É estabelecido pelos sistemas de ensino. Também é conhecido como currículo prescrito.
Currículo Real (em ação): É aquele que realmente acontece em sala de aula. O currículo real leva em consideração o que verdadeiramente foi passado e adquirido dentro do ambiente escolar
Currículo Oculto (implícito): Diz respeito a todas as manifestações que acontecem no ambiente escolar e que não aparece no planejamento, contribuindo de forma implícita para a aprendizagem. O currículo oculto abrange todas as influências originárias da experiência que afetam a aprendizagem.
Existem três grandes teorias sobre currículo e elas sempre são cobradas nas provas: Teorias Tradicionais, Teorias Críticas e Teorias Pós-críticas.
Tradicionais: As teorias tradicionais são teorias de adaptação e de aceitação. Preocupa-se com o repasse dos conteúdos. A concepção Taylorista faz parte do currículo tradicional, que visa a atuação do trabalhador que deve agir sozinho sob a direção do supervisor. O modo de produção industrial foi transferido para a escola. Bobbit queria transferir para a instituição escolar o modelo de organização de empresas defendido por Taylor, dessa forma a escola deveria funcionar de acordo os princípios Tayloristas. A função do especialista em currículo é burocrática, pois ele descreve todos os conteúdos que devem ser ensinados. A teoria tradicional é uma teoria neutra, que busca resultados com a eficácia. Os representantes dessa teoria foram: Bobbit, Tyler, Taylor e Dewey.
Críticas: Essas teorias fazem uma crítica aos processos de aceitação da ideologia da classe dominante. São teorias que buscam uma transformação radical através de questionamentos e desconfiança. É fundamental nessa teoria entender o que o currículo faz.
Pós-Críticas: Essas teorias envolvem relações de gênero, multiculturalismo, cultura, sexualidade entre outros assuntos. Elas criticam a desvalorização de alguns grupos étnicos dentro da sociedade É a tentativa de dar voz aos excluídos de um sistema totalmente padronizado Representantes: Foucault, Derrida, Lyotard, Deleuze, Cheryholmes.
É por conta dessas diferenças entre as teorias curriculares que a escola deve procurar discutir qual currículo que ela quer seguir para se chegar ao objetivo esperado. Essa escolha deve ser refletida a partir da concepção do seu Projeto Pedagógico, que deve basear a prática teórica da instituição junto aos interesses dos alunos.
Na teoria pós-crítica destaca-se o movimento do multiculturalismo que afirmava a não existência de hierarquias entre as culturas, defendo assim, a participação das minorias no currículo escolar.
Concepção Pós Estruturalista do Multiculturalismo: A diferença é algo que vem sendo produzido na sociedade. Destaca o procedimento pelo qual algo é considerado verdade ou como se tornou verdade. O pós-estruturalismo interroga as concepções de Masculino / feminino; heterossexual / homossexual; branco / negro; científico / não cientifico dos conhecimentos que constituem o currículo. A diferença é tratada não como algo natural, mas socialmente produzido.
Teoria Pós Moderna do currículo: Segundo Silva, “O currículo Pósmoderno deverá seguir a cena da sociedade contemporânea da vida em termos políticos, sociais, culturais e epistemológicos que é nitidamente descentrada”. O pós-modernismo propõe um currículo flexível com a adaptação do indivíduo a sua realidade e ao seu cotidiano.
As relações de gênero afirmam que o currículo está baseado conforme as características do gênero masculino sendo um grande problema para a sociedade. O currículo deve contemplar tanto o gênero masculino como o feminino.
Teoria Queer: Essa teoria incentiva que o currículo seja repassado de forma correta no que diz respeito sobre a sexualidade. “A teoria queer quer nos fazer pensar queer (homossexual, mas também diferente) e não straight (heterossexual, mas também quadrado): ela nos obriga a considerar o impensável, o que é proibido pensar, em vez de simplesmente considerar o pensável, o que é permitido pensar”. (SILVA, 2007, p.107) A Teoria Queer entende que o currículo oficial está organizado sobre a ótica do heterossexual. Chama a atenção para o protesto contra discursos discriminatórios.
Dentro das TEORIAS CRÍTICAS DE CURRÍCULO, alguns autores se destacaram com suas propostas pedagógicas, por isso, é interessante sabermos quais os tipos de currículos que foram propostos e suas implicações. Vamos analisar?
Henry Giroux: A escola e o currículo deveriam proporcionar debates e momentos de discussão com os alunos. Para esse autor a escola é analisada como um local de dominação e reprodução, mas ao mesmo tempo permite às classes oprimidas um espaço de resistência. Foi influenciado pelas ideias de Paulo Freire.
Paulo Freire: Critica a educação bancária onde o aluno é visto de forma passiva. Freire não escreveu uma teoria sobre currículo, porém suas ideias influenciaram o campo curricular. Ganhou evidência no campo da educação de jovens e adultos, onde nomeava a elaboração do conteúdo através da problemática de vida dos alunos.
Louis Althusser: Apresenta os aparelhos ideológicos do Estado (família, escola, igreja) e os aparelhos repressivos do Estado (polícia, leis). Para ele o AIE(aparelho ideológico do estado) maior é justamente a escola por abarcar um grande número de pessoas durante um longo período de tempo.
Ainda dentro das teorias críticas do currículo, duas escolas se destacaram:
Escola Francesa: surgiu quando os filósofos e teóricos decidiram compartilhar suas ideias e teorias sobre comunicação. Apresenta a teoria da reprodução cultural (“capital cultural”). O currículo da escola está baseado na cultura dominante, conduzido através do código cultural (Bourdieu e Passeron).
Principais teóricos: Christian Baudelot, Pierre Bourdieu, Jean Claude Passeron, Louis Althusser, Roger Establet.
Escola de Frankfurt: critica à racionalidade técnica da escola “pedagogia da possibilidade”, da resistência: currículo como emancipação e libertação (Giroux e Freire). Eles recriminam a sociedade de comunicação de massa. Não existe teoria neutra. Estão voltados para as conexões entre saber, poder e identidade.
Principais teóricos da Escola de Frankfurt: Jürgen Harbemans, Walter Benjamin, Max Horkheimer, Herbert Marcuse, Theodor Adorno.
Concepções de organização curricular:
Currículo tradicional: A composição deste currículo é bastante conhecida em nossas escolas. Ele organiza as disciplinas e seus respectivos conteúdos de forma fragmentada, promovendo uma educação linear onde não há articulação de temas, os saberes são simplesmente transmitidos sem nenhuma preocupação com a contextualização.
Currículo racional tecnológico (tecnicista) É um currículo voltado para a difusão de conteúdos e desenvolvimento de habilidades a serviço do sistema de produção. O objetivo é gerar a eficiência na aprendizagem com menor custo, voltada para a obtenção de habilidades, técnicas, atitudes e conhecimentos específicos imprescindíveis para que o aluno se integre na máquina do sistema social.
Currículo Escolanovista (ou progressivista) A abordagem está na ideia de um currículo centrado no aluno e no provimento de experiências de aprendizagem sendo uma maneira de articular a escola com a vida, adaptando também os alunos ao meio. Destaca-se as necessidades e interesses dos alunos, na atividade, no ritmo de cada um. O educador assume a posição de facilitador da aprendizagem, os conteúdos surgem das experiências dos alunos.
Currículo Construtivista O educador também assume a função de facilitador deste processo garantindo a integração do aluno com os objetos de aprendizagem. Nesta percepção piagetiana aprecia-se mais a construção do conhecimento pelo próprio educando do que a influência da cultura e do professor. Conforme Luckesi 1990, a ideia principal está em prever atividades que correspondam ao nível de desenvolvimento intelectual dos alunos e instituir situações que estimulem suas capacidades cognitivas e sociais, de modo a possibilitar a construção pessoal do conhecimento através da participação ativa do sujeito.
Currículo Sociocrítico (ou histórico-social) As abordagens sociocríticas convergem na concepção
de educação como compreensão da realidade para
transformá-la, visando a construção de novas relações
sociais para superação de desigualdades sociais e
econômicas. Diferenças na determinação
dos objetivos da
educação e do ensino levam
a distintas opções metodológicas
que vão desde
a visão do ensino como
transmissão cultural até a
uma idéia de escola mais
informal centrada na valorização
de elementos experiênciais,
fortuitos, da convivência
social, minimizando
ou até recusando um
currículo formal.”
Currículo Integrado e Globalizado O termo globalizado é pertinente ao atributo da estrutura cognitiva e afetiva dos alunos e na forma singular de como como são assimilados os significados, estabelecendo os conhecimentos de acordo com a sua experiência de vida. Esse currículo é interdisciplinar, pois relaciona as disciplinas promovendo uma educação globalizada de forma holística. Na maioria das vezes se atribui um tema gerador e as disciplinas se integram indagando cada qual seu conhecimento específico o que no fim se tem uma informação globalizada e contextualizada sobre o tema escolhido.
Nenhum comentário:
Postar um comentário